DEPOIMENTO

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Aleixo Belov
Navegador

Eu tenho muita sorte na vida. Meu pai veio para a Bahia, aqui para Salvador, e foi aqui que aprendi a navegar e a velejar.

Comecei mergulhando na Baía de Todos-os-Santos. Naquele tempo, quando eu era jovem, entre 17 e 20 anos, o mar era cheio de corais, tartarugas, ninguém mergulhava, matava animais ou pescava. Era uma maravilha.

Então eu tive a ideia de construir um veleiro e dar a volta ao mundo para mergulhar em todos os oceanos, mas depois de tanto navegar para mergulhar, eu passei a navegar para navegar mesmo.

E foi assim, mergulhando e navegando que fui me apaixonando pelo mar.

Hoje eu tenho uma empresa de engenharia com 300 mergulhadores trabalhando na Bacia de Campos. Repare bem que eu transformei a minha paixão em profi ssão, comecei a ensinar a mergulhar e hoje eu vivo disso.

Com o meu primeiro veleiro pequeno construído, dei três voltas ao mundo sozinho. Gostei tanto que não quis morrer sem passar os meus conhecimentos para a juventude e foi aí que, depois de um veleiro pequeno, construí um grande de 80 toneladas, o Fraternidade.

Com esse objetivo e com os jovens a bordo, fi z mais duas expedições pelo mundo: para a Antártica e a passagem Noroeste.

Hoje eu tenho 82 anos, tive que colocar uma prótese no joelho para andar melhor, ando com muita dificuldade, mas, ainda assim, eu não encontrei nada melhor para fazer do que continuar navegando. Eu amo estar no mar. Já dei muitas voltas ao mundo, só faltava fazer a passagem Nordeste, chegando à Sibéria. Então esse que é o maior desafi o da minha vida. Pode ser a minha última expedição.

Estou velho, não sei se vou voltar com vida, mas eu estou com muita saudade do mar e estou indo embora novamente.

Na verdade, eu não estou encontrando nada que me apaixone em terra…

Quem quiser conhecer um pouco mais dessa história, pode visitar o Museu do Mar, Aleixo Belov, em Salvador.


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