DEPOIMENTO

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Bruno Fonseca
Presidente do Conselho Nacional de Praticagem

Sou prático de navios nos portos do Ceará e presidente da associação nacional da atividade, a Praticagem do

Brasil. Como um mineiro de Juiz de Fora, a 200 quilômetros do mar do Rio de Janeiro, foi descobrir a profissão?

Eu tinha 17 anos quando eu e um grande amigo, hoje chefe de máquinas, soubemos que um colega cursava a Escola de Formação de Oficiais de Marinha Mercante (EFOMM), no Rio de Janeiro. Gostamos da ideia e ingressamos na escola em 2001. É a Marinha do Brasil quem forma os oficiais de náutica e de máquinas da Marinha Mercante, além de exercer o Poder Naval e a segurança da navegação.

Em 2004, fui graduado como oficial de náutica e trabalhei sete anos embarcado na cabotagem, no longo curso e no segmento de exploração de petróleo. Nesse período, como tripulante, naturalmente tive contato com o prático a bordo. A cada entrada e saída do navio nos portos, ele sobe no passadiço para conduzir a embarcação.

Em 2011, fui aprovado no processo seletivo para praticante de prático, realizado pela Marinha do Brasil. Após 600 manobras como praticante, fi z o exame para prático a bordo, nos portos do Mucuripe e Pecém, sendo habilitado em 2013 como prático no Ceará (zona de praticagem 5).

A praticagem é uma das profissões marítimas mais antigas e também menos conhecida, apesar de ser um dos principais elos da segurança da navegação.

Em Fortaleza, eu atraco um navio a 500 metros da praia e a grande maioria desconhece o prático e a sua responsabilidade para a economia e o meio ambiente. Cerca de 95% das nossas trocas comerciais passam pelos portos por meio de embarcações movidas a toneladas de combustível. Muitas, inclusive, transportam cargas perigosas. Felizmente, nunca tivemos um acidente com grande derramamento de óleo no Brasil.

E muito se deve à boa regulação da Marinha, sempre atenta à qualificação profissional.

Não é um trabalho fácil como muitos pensam. Corremos risco de morte a cada embarque, pois embarcamos e desembarcamos com a nossa lancha e o navio em movimento. Como o regime de atendimento é em escala, podemos manobrar de madrugada e na chuva. Afinal, o porto não para. E o mais importante: estamos gerenciando o risco da navegação para toda a sociedade. Apesar dos inúmeros desafios, sou apaixonado pelo que faço.

Nós, práticos, sempre ressaltamos que o som da segurança é o silêncio. Se não ouvimos sobre praticagem, o serviço é bem executado. Por outro lado, precisamos reverberar cada vez mais o nosso papel.


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