Comandante Joelma
Primeira Capitão Fluvial
Cresci às margens dos rios de Ponta de Pedras, na Ilha do Marajó, onde nasceu meu sonho de navegar. Desde pequena, quis enfrentar desafios que pareciam impossíveis. Num cenário tradicionalmente masculino, encontrei barreiras, mas a disciplina e a coragem me fi zeram perseverar e conquistar cada etapa da minha formação.
Fiz história ao me tornar a primeira mulher no Brasil a chegar à graduação de Primeira Capitão Fluvial e a assumir o posto de Comandante Fluvial, quebrando paradigmas e abrindo caminho para futuras gerações. Minha trajetória é marcada por liderança, profissionalismo, dedicação e amor ao próximo.
Ao longo da carreira, atuei em diferentes embarcações e operações, desenvolvendo conhecimento técnico, adaptabilidade e capacidade de liderança em cenários complexos. Também participei de projetos estratégicos voltados à segurança, à capacitação de novos profissionais e ao desenvolvimento de políticas públicas para o setor marítimo e fluvial.
Meu engajamento social sempre esteve presente com palestras motivacionais, educativas e preventivas, em especial na prevenção do acidente de escalpelamento na região do Marajó. Por meio de campanhas e da distribuição de equipamentos de proteção, pude atuar principalmente a bordo do Navio-Auxiliar Pará da Marinha do Brasil e em parcerias com instituições públicas e privadas. Chegamos a lugares inóspitos e hostis, antes nunca alcançados, onde conheci uma realidade inimaginável e levei o nome da Marinha como símbolo de esperança para pessoas quase em total isolamento. Graças à confi ança dos meus superiores e ao trabalho em conjunto com autoridades e parceiros, conseguimos desenvolver políticas públicas para essas comunidades, que hoje têm mais visibilidade, acesso à cidadania e perspectivas de uma vida mais digna.
A criação da Medalha da Ordem do Mérito Comandante Joelma não é apenas uma homenagem a mim, mas a todos que me apoiaram direta ou indiretamente. Esse gesto me mostrou que meu trabalho tem sido reconhecido e me inspira a lutar ainda mais por justiça social. Acredito que, mesmo sendo curta, a vida não precisa ser pequena. Sua grandeza está em dar o melhor de si e fazer o máximo possível para ajudar os menos favorecidos.
Sigo inspirada pela certeza de que abrir caminhos é mais do que uma conquista pessoal: é uma forma de fortalecer a presença feminina na navegação e de contribuir para a valorização do profissional marítimo no Brasil.