13 de Dezembro
Dia do Marinheiro

Ordem do Dia do Comandante da Marinha

BRASÍLIA, DF.
Em 13 de dezembro de 2025.

ORDEM DO DIA Nº 5/2025

Assunto: Dia do Marinheiro


“A Soberania no MAR projeta-se por meios dissuasórios e afirma-se, precipuamente, pelo vigor moral de “Marinheiros” que neles combatem, até o sacrifício da própria vida.”

A história das Nações revela que o domínio do espaço marítimo configura premissa estruturante para formação, ascensão e preservação da primazia no cenário geopolítico. Controlar esse ambiente significa salvaguardar a liberdade; assegurar fluxos vitais; e proteger interesses estratégicos em contexto antagonista e inconstante.

Se o passado instrui, o presente convoca. Para a “Pátria amada” - dotada de inequívoca aptidão às “Coisas do Mar” -, o Oceano Atlântico constitui ativo de singular magnitude. Nele convergem vetores essenciais para a projeção Nacional: rotas comerciais; recursos vivos, minerais e energéticos; além de infraestruturas críticas, indispensáveis à proeminência econômica. As Águas Jurisdicionais Brasileiras, alicerce notório de desenvolvimento, impõem ao País ininterrupto monitoramento, presença e capacidade de dissuasão plenamente consolidados.

Sob complexa conjuntura, sobressai a Marinha do Brasil - Instituição de Estado, permanente e regular -, cuja existência se imbrica na própria Formação Nacional. Forjada sob rigoroso preparo, constante aprestamento e competência para operar, com proficiência, em extenso litoral, outorga condições irrefutáveis à defesa dos interesses nacionais e à manutenção da liberdade e da soberania no uso do Mar no Atlântico Sul.

Na confluência entre tradição, ciência e profissionalismo, a Força Naval avigora-se como instrumento de estabilidade e notoriedade do Estado brasileiro, em circunstâncias amplamente evidenciadas pelos feitos alcançados.

Importa registrar a sanção da Lei Complementar n° 221/2025 - fruto de decisiva articulação do Ministro de Estado da Defesa, José Mucio Monteiro -, que afiançou sustentação financeira continuada aos Projetos Estratégicos, preservando ritmos industriais, autonomias tecnológicas e a perenidade de perícias fulcrais para sistemas sensíveis.

No escopo da Defesa Naval, a Marinha reafirmou vocação dissuasória ao dilatar, sobremaneira, o “núcleo duro” de competências para o cumprimento de missão precípua. Os lançamentos das Fragatas “Tamandaré”, “Jerônimo de Albuquerque” e Submarino “Almirante Karam”, somados às incorporações dos Submarinos “Humaitá” e “Tonelero”, substanciam arquitetura naval moderna, apta a operar em múltiplos cenários de combate.

No domínio da Segurança Marítima, a Força elevou o alcance sobre seu entorno estratégico, incrementando a capacidade de monitoramento e resposta ao longo da costa. A incorporação do Aviso Hidroceanográfico “Cananéia” reforçou o suporte à navegação e ao conhecimento ambiental marítimo. Ademais, o recente reordenamento do Corpo de Fuzileiros Navais avaliza presença permanente em pontos sensíveis do litoral, privilegiando ações de proteção de eixos comerciais cruciais para a circulação segura de riquezas.

A Força Naval intensificou prontidão e aptidão humanitária para atuar em situações adversas e extremas, seja em calamidades ou lacunas estruturais, em apoio às ações do Estado. A obtenção do Navio-Doca Multipropósito “Oiapoque”, apto a operar em missões de ajuda emergencial, e a incorporação do Navio de Assistência Hospitalar “Sargento Lima” potencializam a capacidade de pronta resposta. A isso, adita-se a construção do Navio de Assistência Hospitalar “Anna Nery”, que fortalecerá substancialmente o amparo médico às populações ribeirinhas, e a criação do Centro de Operações de Paz e Humanitárias de Caráter Naval, robustecendo a doutrina de emprego em missões de caráter civil e social, no âmbito internacional.

A Instituição projetou, ainda, prestígio, confiabilidade e presença estratégica, reforçando laços com Nações amigas e expandindo a inserção do País em contextos multilaterais. Por meio de exercícios combinados, comissões ao exterior e cooperação técnico-operativa, reiterou o compromisso com a estabilidade marítima mundial, amplificando influência nos foros dedicados à segurança e ao direito do Mar, contribuição marcante para a credibilidade do Estado brasileiro.

No domínio científico, o contínuo investimento em pesquisa e desenvolvimento avivou o protagonismo da Marinha do Brasil em demanda à Base Industrial de Defesa e projetos de inovação tecnológica. Destaca-se, nesse horizonte, o firme progresso na construção do Navio Polar “Almirante Saldanha” que propiciará, em futuro próximo, o fomento de pesquisas apuradas no Continente Austral e aprofundamento de estudos de ampla relevância para a comunidade científica. No tocante ao fortalecimento da soberania marítima, o recente aval da Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU para expansão da Plataforma Continental Brasileira conferiu à Amazônia Azul reconfiguração geoestratégica, avolumando o domínio Nacional sobre áreas de elevado potencial econômico.

Em cenário volátil, impõe-se preservar a prontidão, aperfeiçoar métodos e refinar o emprego do Poder Naval. Navios, submarinos, meios anfíbios e aeronaves sobrelevam o raio de ação da Força; não obstante, a eficácia desses instrumentos reside, em última instância, no elemento moral da Instituição: Marinheiros, Fuzileiros e Servidores Civis que assumem, com naturalidade, abnegações inerentes à vida no Mar e ao serviço da Pátria.

Ensejo consentâneo para exaltar a figura de Joaquim Marques Lisboa, Almirante Tamandaré - Patrono da Marinha do Brasil. Forjado, desde tenra idade, no trato austero com o Mar, percorreu campanhas e interregnos de paz com idêntica compostura, revelando temperança incomum. Imbuído de predicados, que conciliava bravura, competência e inegociável senso de dever, moldou singradura inteiramente devotada ao País. Ao desejar exéquias modestas e definir-se, ao fim da vida, como “Velho Marinheiro”, dispôs paradigma de humildade, retidão e serviço irrestrito à Nação.

Nesta efeméride, desmedido legado de distinto homem do MAR, imprime especial relevância aos que, hoje, são condecorados com a Medalha Mérito Tamandaré. A comenda - concebida para laurear aqueles que traduzem, em conduta, herança moral do Patrono da Instituição - distingue “Marinheiros” de ofício ou afeição, cujas iniciativas consolidam vínculos entre a Força Naval e a sociedade. As senhoras e os senhores, para além do cumprimento de atribuições formais, exsurgem influência; emanam exemplo; e, sobretudo, ampliam a magnitude do Poder Naval perante o povo brasileiro.

Auguro aos Marinheiros que preservem o fogo sagrado e a inexorável disposição que sublinham os “Homens do Mar”. Em cada um de vós reside a têmpera que converte meios em poder combatente, asseverando à Instituição perenidade, credibilidade e contundência no cumprimento da missão constitucional, com os mares que vierem.

Marinheiros, rumo ao MAR!

Tudo pela Pátria e pela “Invicta Marinha de Tamandaré”!


MARCOS SAMPAIO OLSEN
Almirante de Esquadra
Comandante da Marinha




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