13 de Dezembro
Dia do Marinheiro

Mensagem do Senhor Ministro de Estado da Defesa

BRASÍLIA, DF.
Em 13 de dezembro de 2025.

Assunto: Mensagem do Senhor Ministro de Estado da Defesa por ocasião da Celebração do Dia do Marinheiro


Na data de hoje, 13 de dezembro, celebramos o Dia do Marinheiro, momento oportuno para prestar homenagem ao Patrono da Marinha do Brasil, Almirante Joaquim Marques Lisboa, o Marquês de Tamandaré. Sua notável trajetória profissional foi decisiva para a consolidação do Brasil como uma nação de vasto litoral, deixando-nos valores de determinação, profissionalismo e fervoroso patriotismo.

É com satisfação que cumprimento todos os integrantes da Marinha, homens e mulheres do mar, pelo empenho constante em tornar a Força Naval cada vez mais sólida e resiliente, sempre comprometida com a soberania nacional, protegendo nossas riquezas e cuidando da nossa gente.

A atividade militar possui suas particularidades, caracterizada muitas vezes por um serviço discreto e anônimo. São esses militares que se dedicam integralmente à missão da Força Naval, suportando os desafios do ambiente marítimo, em especial da nossa Amazônia Azul, sempre defendendo os interesses do País e honrando os compromissos nacionais e internacionais.

A atuação do Governo Federal tem como pilar a materialização de programas de interesse coletivo e o fornecimento de benefícios tangíveis à Sociedade. É justamente por meio desta ótica de realização e serviço efetivo que se torna imperativo reconhecer e enaltecer o trabalho inestimável desempenhado por Marinheiros, Fuzileiros Navais e Servidores Civis.

A atuação da Força Naval no cenário nacional se destacou pela capacidade de pronta resposta, entre elas nas ações de Cooperação com a Defesa Civil, fato este corroborado pela assinatura do Protocolo de Intenções entre o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES), o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (CEMADEM) e a Marinha do Brasil, consolidando-a como Força de Resposta Imediata a Desastres Ambientais, somando esforços com as Forças coirmãs e levando esperança a partir do mar. Ademais, a recente assinatura do protocolo de intenções com o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional (MIDR) e a aquisição do Navio Doca Multipropósito Oiapoque reforçam as capacidades da Força Naval em momentos de crise provocados, principalmente, por catástrofes naturais.

Este espírito solidário também se manifesta nas já tradicionais missões dos Navios da Esperança, que levam apoio de saúde às populações ribeirinhas da Amazônia e do Pantanal. A propósito, vejo com o mesmo viés humanitário as próprias missões de Busca e Salvamento ou de resgate de tripulantes em casos de urgência médica, nos navios que transitam pelo Atlântico Sul.

Também nas ações de apoio ao Estado e à proteção ambiental, temos visto a Marinha muito ativa, mantendo-se presente na Operação Catrimani, no combate ao garimpo ilegal nas Terras Indígenas Yanomami. Além disso, segue atuante ao promover a segurança nas águas jurisdicionais do Atlântico Sul, combatendo ilícitos transnacionais como pirataria, tráfico de drogas e pesca ilegal, onde liderou a Operação GUINEX V no continente africano.

Deixando evidente seu estado de prontidão, navios e efetivos da Marinha rapidamente se desdobraram e foram empregados em Operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), no Rio de Janeiro nos Eventos do BRICS e mais recentemente na COP-30 (Conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas) em Belém.

Em março deste ano, um avanço notável reforçou a relevância da Força para a soberania nacional, mediante continuado esforço da Instituição, o Brasil obteve o reconhecimento pela Organização das Nações Unidas de uma área adicional de 360 mil km² situada na Margem Equatorial, além da atual Zona Econômica Exclusiva. Essa nova faixa permitirá a exploração de recursos naturais do leito marinho e do subsolo, reforçando o papel da Marinha como guardiã da Amazônia Azul, um imenso patrimônio vital para o nosso desenvolvimento sustentável, nossa segurança energética e alimentar, e para a projeção do Brasil no cenário internacional.

Cabe destacar ainda as contribuições no campo científico e tecnológico, por meio do Programa Antártico e na modernização da Força, que são essenciais para a Defesa da Pátria.

O avanço dos Programas Estratégicos, como o PROSUB, evidenciado com a mostra de Armamento do Submarino “Tonelero” e Batismo do Submarino “Almirante Karam” e a continuidade do desenvolvimento do Programa Nuclear da Marinha, colocam o País entre os poucos no mundo com tal capacidade tecnológica.

Paralelamente, o Programa das Fragatas Classe Tamandaré segue firme, com previsão de lançamento e incorporação de novos meios, fortalecendo a capacidade de dissuasão da Força e a Base Industrial de Defesa. Se verificarmos as iniciativas para modernização de nossa Esquadra, teremos a grata constatação de observar o movimento da construção naval privilegiando a execução de projetos em nosso território, gerando empregos, melhorando renda, incorporando novas tecnologias e ampliando a arrecadação.

De igual modo, a construção do Navio Polar “Almirante Saldanha” e o Programa de Obtenção de Navios-Patrulha aprimoram o nível de operacionalidade no apoio às atividades de pesquisa e à vigilância das Águas Jurisdicionais Brasileiras. Destaco ainda, o desenvolvimento contínuo do Míssil Antinavio de Superfície (MANSUP) e a inédita integração do sistema ASTROS ao avião cargueiro KC-390, que evidenciam o compromisso da Marinha com a interoperabilidade entre as Forças e a ampliação de sua capacidade expedicionária.

Ademais, em consonância com nossa Política Externa e interesses geopolíticos, nossa “Diplomacia Naval” tem a singular capacidade de materializar a presença do Estado brasileiro no Atlântico Sul, ao contribuir com a segurança marítima e ao cooperar com o fortalecimento das Marinhas Amigas em nosso entorno estratégico.

Cumpre reconhecer também o valor dos servidores civis, que, lado a lado com os militares, com engenho e arte, contribuem com silenciosa dedicação e competência técnica para o funcionamento da estrutura naval, o desenvolvimento de projetos estratégicos e o suporte às missões da Força.

Ainda neste mês testemunhamos a formatura da primeira turma de Marinheiras na Escola de Aprendizes de Pernambuco e muito em breve ocorrerá a Cerimônia da quarta turma mista de Soldados Fuzileiros Navais no CIAMPA. Congratulo a Marinha pela integração e compromisso ao garantir a sustentação do Poder Naval por meio da capacitação de novos recursos humanos.

O Ensino Militar Naval é o ponto de partida para a existência de um efetivo qualificado, essencial para guarnecer navios e unidades anfíbias, assegurando a soberania nacional, a defesa da Pátria e o cumprimento das atribuições subsidiárias, como o patrulhamento e a segurança da navegação na vasta área da Amazônia Azul.

Concentrando-me na responsabilidade primordial, que é a defesa inalienável da nação e a eventual necessidade de utilizar o poderio militar, as agressões globais recentes sublinham a urgência de manter Forças Armadas contemporâneas e adequadamente dimensionadas.

No entanto, os benefícios de uma Marinha robusta transcendem o ambiente marítimo e os períodos de conflito. Uma força naval capaz de dissuadir afasta ameaças e é vital para a saúde econômica do país, mesmo em tempos de paz, como demonstra o escoamento seguro de 95% das exportações nacionais via tráfego marítimo.

Diante das crescentes exigências estratégicas da atualidade, a garantia de um orçamento previsível para as Forças Armadas tem sido recorrentemente enfatizada para a continuidade dos Projetos Estratégicos, pois a manutenção e o reforço da presença marítima brasileira constituem fundamentos essenciais para salvaguardar a soberania e os interesses nacionais no Atlântico Sul, de acordo com a relevância geopolítica do Brasil.

Aproveito a oportunidade para saudar todos os distinguidos agraciados com a honraria da Medalha Mérito Tamandaré, em virtude de seu merecido reconhecimento. Diante de todas as considerações apresentadas, presto meus cumprimentos ao Comandante da Marinha por sua condução exemplar, administração sólida e habilidade em gerenciar um conjunto complexo de responsabilidades, assegurando que o Brasil possa contar com uma Força Naval aprestada, expedicionária e anfíbia, em condições de pronto emprego.

Desta forma, ratifico minhas congratulações aos Marinheiros, Fuzileiros Navais e servidores civis pela passagem do “Dia do Marinheiro”, conclamando-os a “manterem o rumo” em suas belas carreiras, explorando o pleno potencial de suas vocações e desempenhando com o máximo de profissionalismo suas funções como “homens e mulheres do mar”.

VIVA A MARINHA!


JOSÉ MUCIO MONTEIRO FILHO
Ministro de Estado da Defesa




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