Page 31 - Relatório de Gestão 2025
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1.2 AMBIENTE EXTERNO plia a sensibilidade dos Estados a perturbações externas, enquanto a
ampliação do uso de instrumentos não convencionais de poder — in-
O Ambiente Externo constitui variável estruturante para o plane-
jamento, o preparo e o emprego da Marinha do Brasil, na medida em cluindo pressões econômicas, cibernéticas e informacionais — torna
cada vez mais complexa a natureza das ameaças. Nesse contexto, a
que expressa as condições sistêmicas que moldam a segurança in- proteção de fluxos marítimos e de infraestruturas estratégicas adquire
ternacional e influenciam diretamente o comportamento estratégico caráter de interesse nacional prioritário.
dos Estados. O sistema internacional atravessa um período de transi-
ção profunda, caracterizado pela intensificação da competição entre O Atlântico Sul, historicamente percebido como região de relativa
grandes potências, pela erosão relativa de mecanismos tradicionais de estabilidade interestatal, vem sendo progressivamente impactado por
governança e pelo aumento da instabilidade, da incerteza e da imprevi- essas dinâmicas sistêmicas. A ampliação do interesse e da presença
sibilidade no cenário geopolítico. Tal contexto impõe desafios crescen- de atores extrarregionais, motivada por fatores econômicos, energé-
tes às estruturas de defesa, exigindo permanente atualização das ava- ticos e geopolíticos, introduz novos vetores de complexidade ao am-
liações estratégicas e maior capacidade de adaptação institucional. biente regional. Ainda que não se configure, no presente, ameaça mi-
litar direta, a intensificação da competição estratégica global projeta
Nesse ambiente, observa-se a reafirmação da centralidade do do-
mínio marítimo. O mar consolida-se simultaneamente como espaço vi- efeitos indiretos sobre a região, elevando a relevância da dissuasão, da
presença e da capacidade de resposta como instrumentos essenciais
tal para a circulação de fluxos econômicos globais, ambiente de explo- para a preservação da estabilidade regional e da autonomia estratégi-
ração de recursos estratégicos e plataforma privilegiada de projeção ca dos Estados lindeiros.
de poder e influência. A crescente relevância das Linhas de Comunica-
ção Marítimas (LCM), dos recursos energéticos offshore, dos minerais Paralelamente às dinâmicas de natureza interestatal, o Atlântico
estratégicos e das infraestruturas críticas submarinas evidencia que Sul enfrenta desafios persistentes associados às ameaças não tradi-
o espaço marítimo transcende sua dimensão geográfica, assumindo cionais. Fenômenos como a pirataria, o roubo armado no mar, o tráfico
papel central na dinâmica da competição estratégica contemporânea. ilícito, a pesca ilegal, os crimes ambientais e outras modalidades de
A segurança e a estabilidade dos mares tornam-se, assim, elementos ilícitos transnacionais configuram um ecossistema de riscos cumula-
diretamente associados à resiliência econômica, à segurança energéti- tivos que impacta a governança marítima e desafia a autoridade dos
ca e à autonomia política dos Estados. Estados costeiros. Tais ameaças, embora frequentemente de natureza
difusa e assimétrica, produzem efeitos estratégicos relevantes ao afe-
O ambiente estratégico internacional recente demonstra que a pre-
visibilidade e a estabilidade não podem mais ser presumidas. Conflitos tar a segurança da navegação, a exploração sustentável de recursos e
a estabilidade institucional dos países da região.
regionais, disputas geopolíticas, sanções econômicas, disrupções lo-
gísticas e o emprego crescente de estratégias híbridas têm impactado O Brasil ocupa posição singular nesse ambiente. País de dimen-
de forma significativa o comércio internacional e a segurança da na- sões continentais, extensa linha de costa e vastos espaços marítimos
vegação. A interdependência das cadeias globais de suprimento am- sob jurisdição, apresenta elevada dependência estrutural do domínio
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