Page 32 - Relatório de Gestão 2025
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marítimo. A porção marítima das Águas Jurisdicionais Brasileiras — a vulnerabilidade dessas infraestruturas, em um cenário global marcado
denominada Amazônia Azul — concentra expressivo patrimônio de re- pela expansão de riscos híbridos e pela maior contestação no domínio
cursos biológicos, energéticos e minerais, além de infraestruturas crí- marítimo, reforça a necessidade de vigilância permanente, proteção
ticas indispensáveis ao desenvolvimento nacional. A relevância estra- efetiva e capacidade de pronta reação. A segurança física e informa-
tégica desse espaço não se limita à dimensão econômica, abrangendo cional desses ativos passa a integrar de forma indissociável o escopo
também aspectos relacionados com a soberania, a segurança, a ciên- das preocupações estratégicas nacionais.
cia e a projeção internacional do País.
Diante desse conjunto de vulnerabilidades e desafios compartilha-
As LCM assumem nesse contexto um caráter vital. Por meio delas dos, a cooperação regional adquire importância estratégica crescente.
escoa parcela predominante do comércio exterior brasileiro, viabilizan- A preservação do Atlântico Sul como espaço de estabilidade, desen-
do a integração do País aos fluxos globais de comércio e assegurando volvimento e uso pacífico demanda esforços coordenados entre os
o abastecimento de insumos essenciais à economia nacional. A se- Estados lindeiros, capazes de mitigar vulnerabilidades comuns e for-
gurança dessas rotas marítimas, portanto, constitui fator diretamente talecer mecanismos de confiança mútua. A Zona de Paz e Cooperação
associado à estabilidade econômica, à segurança alimentar e à resi- do Atlântico Sul (ZOPACAS) constitui, nesse sentido, importante ins-
liência estratégica do Estado brasileiro. Eventuais perturbações nes- trumento político-estratégico, ao promover o diálogo, a cooperação e
ses fluxos podem gerar impactos sistêmicos, ampliando a relevância a convergência de interesses entre países sul-americanos e africanos
da capacidade estatal de monitoramento, proteção e resposta. com projeção sobre o oceano.
No domínio das infraestruturas críticas, destaca-se a crescente A atuação da Marinha do Brasil nesse espaço geopolítico amplia
densidade de ativos estratégicos no ambiente marítimo, incluindo ins- o alcance da diplomacia naval brasileira e reforça a lógica de seguran-
talações energéticas offshore, estruturas portuárias e redes de cabos ça cooperativa no Atlântico Sul. Iniciativas de intercâmbio, treinamen-
submarinos responsáveis pela conectividade internacional do País. A to e presença naval contribuem simultaneamente para a construção de
confiança, o compartilhamento de boas práticas e o fortalecimento das
estruturas de governança marítima. Essa vertente cooperativa comple-
menta a dimensão dissuasória do Poder Naval, ao consolidar o Brasil
como ator comprometido com a estabilidade e a previsibilidade regional.
A avaliação do ambiente estratégico contemporâneo permite identi-
ficar vetores principais de risco. O primeiro refere-se às pressões e aos
potenciais constrangimentos associados à intensificação da presença
extrarregional em áreas de interesse estratégico. O segundo relacio-
na-se à vulnerabilidade das LCM e das infraestruturas críticas, cuja in-
tegridade é essencial ao funcionamento do Estado e da economia. O
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